
A expressão “sair da geladeira” acaba de ganhar um novo sentido. Tal feito deve-se à candidata a vice-presidência dos EUA pela chapa republicana, Sarah Palin. A candidata saiu da geladeira do Alasca, onde era até então governadora, para o “exterior” - como os cidadãos do Alasca se referem ao resto dos EUA. Coube, portanto, a este “exterior” uma recepção no mínimo calorosa à candidata. A mídia e a oposição, evidentemente não decepcionaram, trataram logo de acalentar a recém-chegada com seus calientes holofotes - o calor da recepção foi, assim, físico e seus efeitos já podem ser notados na antes alva, agora queimada, Sarah.
O bronzeamento começou com as rotineiras escavações ao seu passado, quando surgiram os primeiros boatos e escândalos. Primeiro, as acusações de que ela teria cometido abuso do poder enquanto ocupava o cargo de governadora, uma vez que teria demitido o comissário de segurança do estado, Walter Monegan, por este se negar a demitir o policial, Michael Wooten, ex-marido de sua irmã, envolvida em um divórcio litigioso com Wooten. O escândalo ficou conhecido como “Troppergate”, em referência ao policial.
“Troppergate” causou espanto das alas mais conservadoras do eleitorado, pois Sarah foi eleita governadora do Alasca sobre uma plataforma anticorrupção quando seu estado estava mergulhado nesta.
Mas, a pior inimiga de Sarah parece ser ela própria. Mostrando-se inapta e inexperiente para o cargo, Sarah, que tirou seu passaporte recentemente (“viajava através dos livros e da educação"), tem apresentado extrema dificuldade para responder às perguntas dos repórteres referentes à política externa e a economia. Contudo, são tais temas, coincidentemente, considerados mais importantes para os eleitores.
Em uma recente entrevista veiculada pela CBS, a candidata não conseguiu descrever a doutrina do presidente George W. Bush em assuntos internacionais e chegou a afirmar que a proximidade do Alasca com a Rússia e o Canadá gerava ”missões e parcerias”.
A decepção do partido com sua própria escolha, que tinha como objetivo lançar uma candidata que fosse modelo de conduta cristã – agradando o eleitorado mais conservador - não parece se restringir a performance nas entrevistas de Palin e nos escândalos políticos. A recente surpresa da gravidez de sua filha adolescente, Bristol, 17, que não esboçou qualquer reação de se casar com seu namorado, Levi Johnson, 28 causou igual descontentamento, inclusive nos eleitores.
Pelo desempenho de Sarah como candidata à vice, em breve, é possível que seu partido tome a decisão mais acertada e mande-a definitivamente de volta à geladeira. Afinal, lá o petróleo é abundante, a infra-estrutura de primeira, a caça é liberada e todos, sem exceção, são bem-vindos, inclusive ex-candidatas a presidência.
“The State of Sarah Palin” (Revista New Yorker) excelente artigo sobre Sarah Palin e o Alasca.
“10 Facts About Sarah Palin” ( Revista Time) – Pequena biografia de Sarah Palin


